terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Indiferente

Ele só queria sentir saudade.

Sorrir verdadeiramente.
Perceber em si alguma maldade.
Viver intensamente!

Talvez precisasse de uma amor de verdade.
Enlouquecer perdidamente.

Mas nada, nada ele sente!

E isso o deixa infeliz,
Disso ele está ciente.

Nem adiantaria colocar-lhe a vida por um triz!
Uma vez que nada,
nada ele sente...

Indiferente.



Thiago Assis F. Santiago
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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Angelim



Certa vez o sofrimento vale a pena,
o suor do esforço se torna o suor da comemoração.
A história se encarregou de escolher quem nasceu determinado
a ser um vencedor.
E um dia o que parecia impossível é alcançado.
Seja pedreiro, padeiro, do interior do sertão,
um dia podes ser ovacionado por 80 mil,
um dia podes ser idolatrado por uma nação.
Quis o universo que fosse um Ronaldo
um anjo de vermelho,
de um povo o salvador.



Thiago Assis F. Santiago
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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Amor contido

Ela se aproximava da frágil estrutura de madeira que cercava a ponte e que seria para impedir que alguém caísse na água.

Naquela fria madrugada no campo eu me aproximei com cuidado, sabia que se falasse alto ou de um modo amedrontador ela se espantaria, afinal achava que não havia mais ninguém naquele momento.

- Algum problema, garota?

- Ah, é você... você aparece sempre que alguém parece precisar de ajuda.

- Pois é. Parece que eu sou uma droga de anjo e que não há nada que eu possa fazer para mudar isso.

- É melhor ser o anjo que ajuda do que o doente que sempre precisa ser ajudado.

- Quer conversar?

Procuro nela algum abrigo para me confortar, mas eu não podia me expor dessa maneira, eu era o forte, com medos e sentimentos contidos, esquecidos dentro de mim. A lua brilhando sobre a água límpida, o clima tranqüilo da madrugada do campo... tudo convergia para um cenário ideal de romance.

Só nós dois, agora já no banquinho que havia na ponte. Ela deixando a cabeça cair no meu ombro. Eu a abrigando da maneira que queria que comigo acontecesse. Ela abrindo o coração para mim, olhos cheios d'água. Eu me segurando para não beijá-la com todo a fúria que havia em mim.

- Eu mereço isso?

- Não menina, não fique triste por algo assim, você merece o que há de melhor.

"Pena que ela não percebe que eu sou o melhor que há para ela", pensava eu.

Um momento lindo que agora já contava com os primeiros pássaros a cantar. Foi então resolvi falar tudo aquilo que guardava em meu peito.

Dizia que há meses não conseguia sequer me imaginar beijando outra pessoa, pois só ela dominava minha mente, que eu me sentia mais preso a ela do que as montanhas ao chão. Afirmava que não sabia mais o que fazer que não fosse beijá-la naquele momento, com toda a paixão acumulada em mim durante tanto tempo.

Foi então que comecei a me preparar para a consolidação do meu amor. A posição da cabeça dela não era favorável, por isso tinha que achar uma melhor para mim. Deslizei minha mão pelo rosto dela. Falei algo tênue no ouvido próximo antes de um pequeno beijo no pescoço. Digiri-me à boca. Foi quando percebi que ela dormia.



Thiago Assis F. Santiago
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Às vezes

Às vezes achamos mais interessante o tipo de cabelo
do que as idéias de alguém.
Outras vezes achamos mais bonito o lápis no olho
do que a pureza do olhar.
Em algumas oportunidades observamos os dentes, se estão limpos,
e não vemos a felicidade transmitida pelo sorriso de alguém.
A altura às vezes nos é mais importante
do que o alcance da criatividade.
A cor do esmalte chama mais atenção
do que a delicadeza das mãos companheiras.
O tamanho da barriga nos chama mais atenção
do que a vida que lá habita e logo chegará ao nosso convívio.
Às vezes o formato das penas nos é mais chamativo
do que os caminhos que elas já traçaram.
Superficiais? Às vezes realmente somos superficiais,
mas isso não tem que ser nossa marca registrada.
Erros e imperfeições todos nós temos,
só façamos com que as qualidades se sobreponham
e teremos uma vida mais digna.
E é isso que eu tento.


Thiago Assis F. Santiago
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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Estilo

A poesia deve unir,
e não selecionar.
Todos merecem entendê-la
e, com ela, cantar.

Não há mais espaço
para uma linguagem arcaica
e para construções complexas.
Minha poesia é simples.

O mundo quer correr.
O mundo quer vibrar.
O povo precisa ler.
O povo precisa raciocinar.

Não me venha com barroquismos.
Não complique a minha vida.
Quero ser rápido.
O mundo pede velocidade.

Poesia para o povo.
Arte para a massa.
A elite que se adapte:
O que é bom, não passa.



Thiago Assis F. Santiago
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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Respostas

É o fim perto
ou será o começo?
E o amor estará chegando
ou estará partindo?

Eu não sou um problema,
sou bom.
Aliás, sou contido.
Então eu sou um problema.

Surpresas
não são estranhas aos meus amigos.
Os mais próximos sabem,
surpreendo.

Seria uma eternização?
Talvez uma confirmaçao.
A vida é como eu,
surpreende.

Sentimentos nascem.
Alguns se eternizam.
Outros morrem.
É a Lei.

É o fim próximo?
É o começo próximo?
Ambos?
Nada é impossível.



Thiago Assis F. Santiago

Galera, eu estou ausente mas tenho um motivo justo: são três finais de semana consecultivos fazendo vestibular. Agora que passou o primeiro dos três. Aliviando um pouco essa agitação o "Eu, Thiago Assis" voltará ao seu funcionamento normal.



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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Montanha não, roleta-russa de hormônios

O nerd medroso, depois de uma primeira vez inesperada, resolveu contar a história da angústia pela qual passou. E ela ficou assim:

“Era uma vez um nível alto de FSH. Ele fazia com que alguns folículos ovarianos se desenvolvessem e liberassem estrógeno no sangue, o qual começou a preparar o útero para um possível embrião. Esse aumento de estrógeno, ao passo que fazia diminuir a produção de FSH, estimulava a adenoipófise a produzir LH. A grande presença de LH, combinada com a prévia existência de FSH, induziram a ovulação. Com o óvulo liberado, o LH promoveu a tranformação de células do folículo em corpo amarelo. O corpo amarelo produziu um pouco mais de estrógeno e, ao mesmo tempo, uma grande quantidade de progesterona. Níveis altos de estrógeno e progesterona fizeram com que a hipófise deixasse de produzir LH. Sem LH, o corpo amarelo parou de produzir estrógeno e progesterona. E, com os quatro hormônios em baixos níveis, veio finalmente a descamação do endométrio, veio a esperada menstruação. Isso significa que os níveis de FSH voltarão a subir e o ciclo irá recomeçar.

Sim, ela não estava grávida. Que medo aquele descuido me deu!

Já pensou se o óvulo tivesse sido fecundado, se gonadotrofina coriônica começasse a ser produzida pelas vilosidades coriônicas e passasse a manter ativo o corpo amarelo com aquela desesperada produção de estrógeno e progesterora? Já pensou se depois do quarto mês a placenta assumisse o lugar do corpo amarelo na produção dos dois hormônios e, depois do nono mês surgisse um herdeiro meu?

Não, amigo. Eu não teria estrutura para isso. Melhor nem pensar nisso. Melhor apenas ser mais cuidadoso nas próximas vezes”.

É, caro leitor. Existe um fato, mas as versões são infinitas.


Thiago Assis F. Santiago
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Risco

- Fica comigo.

- Mas Caio, nós somos amigos. Um beijo poderia atrapalhar toda essa amizade que construímos ao longo desses 5 anos.

- Fica comigo.

- Mas aqui... agora?

- Sim, agora. Agora enquanto me aproximo lentamente dos teus lábios...

- Não quero acabar me afastando de ti.

- Luana, você está apaixonada por alguém? Apaixonada ao ponto de só pensar na tal da pessoa. Apaixonada ao ponto que isso não permita que você beije nenhuma outra pessoa que não o alvo que o Cupido te destinou?

- Não.

- Então, nem eu.

- Caio, cansei que ouvir casos de amigos que ficaram e de repente rolou uma paixonite e no fim ambos se machucaram e a amizade nunca mais foi a mesma.

- Luana, um beijo seria apenas dar um risco colorido àquilo que já é brilhante, mas ainda é preto e branco, que é a nossa amizade.

- Não sei...

- Ah! Pára de joguinhos e vem aqui. Eu sei que você quer.

- Sim, eu quero. Mui...



Thiago Assis F. Santiago
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sábado, 24 de outubro de 2009

Correspondência

Who needs please when we’ve got guns? *

Eu estava em casa quando o carteiro, amigo de longa data, me chamou para entregar uma correspondência. Estranhei a situação, pois não recebia cartas que não de cartões de crédito ou de outros tipos de cobrança.

Como tinha o meu nome e meu endereço (rua da Quimera, número 5), não podia ser engano, então resolvi lê-la. E assim ela dizia:

“Chegou-se a um ponto em que amar não é poder, em que sonhar não é ter esperança, pois essa sofre na UTI há muito tempo. Alcançou-se uma época na qual o convívio não é mais necessário, na qual um abraço já não vale muito, pois só se vive ‘online’. Estamos no Futuro. Por que pensar no outro, se o que importa é a gente? Por que sorrir, se ninguém verá o sorriso?

"Só espero que quem está no Presente não tenha o mesmo destino que nós. Só torço para que um dia uma catarse aconteça e o Futuro deles não seja como o meu.”


O mais estranho nem era não haver remetente, e sim o selo e o carimbo datados do ano de 2079. Não pareceu trote, acredito que veio de onde diz ter vindo, só não me perguntem por que eu fui escolhido e nem como ela chegou...



Thiago Assis F. Santiago

* “Quem precisa de 'por favor' quando temos armas?”
da música “Sleep through the static”, de Jack Johnson.



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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Aprecie sem moderação

Selton Mello está genial no filme "Lavoura arcaica", que mais merece ser tido como uma obra de arte do cinema nacional. Um drama irresistível, que conta sobre uma família do campo unida, até que um irmão foge por motivos únicos.

A obra toda se passa durante uma conversa entre o irmão mais velho da casa e o irmão que fugiu, a quem aquele havia ido buscar, em um quarto escuro, triste e bagunçado de uma pousada qualquer.

“Quanto mais unida a família, mais violento o baque. A força e a alegria da casa podem acabar com um único golpe”.

Um filme que prende e alucina quem o assiste, com imagens lindas, fotografias e ângulos sensacionais, tanto da natureza quanto dos personagens (estes principalmente) e músicas instrumentais que tocam a alma. As falas dos personagens mais parecem uma longa poesia declamada que se estende por toda a história.

Delírio, loucura, vinho, demônio, epilepsia (logo também preconceito), pecado, vinhos, hipocrisia, catarse, incesto, dor, revelações, surpresas, amor, Deus, milagre. Um pai que comanda, uma mãe submissa, e ele, Selton Mello, como o filho observador, aquele que melhor conhece a todos e que mais os ama, por isso ser ele quem foge.

“Eu, o filho arredio... não era com estradas que eu sonhava; jamais me passava pela cabeça abandonar a casa, jamais tinha pensado correr longas distâncias em busca de festas pros meus sentidos. Eu já sabia, meu irmão, desde a minha mais tenra idade, quanta decepção me esperava fora dos limites da nossa casa...”

Essa obra merece ser vista e apreciada.



Thiago Assis F. Santiago
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