O olhar no tua face é apenas delicado. Não entendo porque fazes coisas que não gostas só por estares comigo. Por que você se enche de mágoas se tudo poderia ser resolvido se conversássemos um pouco? Por que você me segue quando em essência não acredita naquilo pelo que reza?
Isso que é amor? Não precisa se assustar. Até com medo tua expressão é delicada. Mesmo assim não se sinta acuada. Só quero saber: por que você diz “tudo bem” quando na verdade não está tudo bem? Você tem vida dupla por quê? Se mostra delicada, mas é amargurada por dentro.
Nós podemos nos beijar apenas quando estivermos sós, se isso te faz melhor. Nós podemos fazer amor apenas em casa, sem ninguém observando. Mas você não diz nada, por isso fazemos amor até em locais sagrados e você, mesmo sem gostar, apresenta-me apenas um olhar delicado.
Amo tua delicadeza, mas a beleza está na sinceridade, não nos sentimentos forjados. Podemos mudar. Podemos fazer tudo diferente do que fazíamos até então. A partir de hoje quero a tua felicidade acima de qualquer outro objetivo.
E então você poderá ser delicada de verdade, e feliz.
Thiago Assis F. Santiago
*Inspirado na música "Delicate", de Damien Rice
Para ver um vídeo da música basta clicar aqui.
www.twitter.com/euthiagoassis
Posso não ser simples e direto nas minhas atitudes, mas minha escrita apresenta tais aspectos. Sendo assim, a linguagem por mim usada não terá enfeites complexos, pois creio que palavras simples também podem ser muito belas.
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segunda-feira, 5 de abril de 2010
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Discreta descrição
Discreta. Linda, inteligente e, acima de tudo, discreta. A garota dos sonhos daquele rapaz. Sem o nariz empinado das líderes de torcida dos filmes estadunidenses. Sem a estranheza das geeks que passaram a ser habituais.
Simpática. Engraçada, atraente. Ela é capaz de rir e de fazer sorrir. Um rosto que transmite paz e, ao mesmo tempo, que mostra firmeza, personalidade forte. Não queria uma mulher submissa, mas sim alguém capaz de tomar decisões quando fosse necessário.
Aquela morena era tudo isso. Tudo isso e mais. Ela era companheira, os anos de amizade mostraram o quanto ela se preocupava com quem gostava. O conhecimento também mostrou pra ele que poderia lhe confiar os segredos, os planos... o coração.
Não é uma mulher inalcançável. Não é um homem que teme perder uma amiga por conta de um relacionamento amoroso. Não há algo que impeça o amor dele. Não há medo ou timidez.
Mas eles não namoram. São livres. Não acham que o amor é algo essencial para a vida. Pelo menos não achavam antes. Hoje o rapaz já não saberia o que fazer caso ela saísse da rotina dele. Hoje ela sente falta de um companheiro para dormir abraçada.
Mas eles não namoram. Sabe-se lá o motivo.
Thiago Assis F. Santiago
www.twitter.com/euthiagoassis
Simpática. Engraçada, atraente. Ela é capaz de rir e de fazer sorrir. Um rosto que transmite paz e, ao mesmo tempo, que mostra firmeza, personalidade forte. Não queria uma mulher submissa, mas sim alguém capaz de tomar decisões quando fosse necessário.
Aquela morena era tudo isso. Tudo isso e mais. Ela era companheira, os anos de amizade mostraram o quanto ela se preocupava com quem gostava. O conhecimento também mostrou pra ele que poderia lhe confiar os segredos, os planos... o coração.
Não é uma mulher inalcançável. Não é um homem que teme perder uma amiga por conta de um relacionamento amoroso. Não há algo que impeça o amor dele. Não há medo ou timidez.
Mas eles não namoram. São livres. Não acham que o amor é algo essencial para a vida. Pelo menos não achavam antes. Hoje o rapaz já não saberia o que fazer caso ela saísse da rotina dele. Hoje ela sente falta de um companheiro para dormir abraçada.
Mas eles não namoram. Sabe-se lá o motivo.
Thiago Assis F. Santiago
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
O Laranja
O dia amanhancera Laranja, fatídico Setembro. Naqueles anos os costumes eram outros. As leis eram outras. Os homens eram outros. O Laranja não era comum. Vivia-se nas trevas. Trevas que inutilizavam a mente humana, pelo menos para coisas saudáveis. O Laranja até poderia ser uma esperança.
Será que nasceriam novos dias assim? Será que viriam novos tempos? Será que dali por diante "Um bom dia cor de Laranja" viraria uma saudação habitual?
Os homens não querem a felicidade mútua. Só sonhadores pensam nessa possibilidade. Se o Laranja era algo bom, com certeza haviam seres humanos procurando uma maneira de depreciá-lo, de torná-lo triste, doloroso e inaceitável para o decorrer da História.
A Igreja criara há pouco tempo uma nova categoria de infiéis: os hereges. Seriam aqueles que, na visão dos homens da que comandavam a fé, ameaçavam o "poder de Deus" com as idéias científicas que tinham. Herege tornara-se sinônimo de bruxo.
O Laranja que começara a habitar a mente humana, que começara a abrir os olhos do ser humano, que começara a fazê-lo raciocinar sem regras para os pensamentos, era uma ameaça. O Laranja era herege.
Claro que não podiam condená-lo. O Laranja não era personificado para que sofresse com habituais torturas, com anos em celas nada aconchegantes. Deixar aquela alegria e iluminação alaranjada dispersa e livre para todos não era algo aceitável. "Temos que trazê-lo para nosso lado", pensavam os inquisidores.
Procurariam algo laranja, algo que viesse e se destacasse entre todas as condenações. Estavam certos que o Laranja logo se tornaria um aliado. Isso não tardou para acontecer. Iluminado por uma aura demoníaca, um dos homens da religião chegou a uma associação criminosa e, para o grupo dele, essencial: "O fogo é laranja!", foi como apresentou a idéia aos companheiros.
Dali por diante o Laranja, que começava a salvar a humanidade da visão retraída da Igreja, da tirania religiosa que há tempos limitava a capacidade do homem, aquele Laranja, ele tornou-se verdadeiramente cruel, tornou-se apenas laranja. O laranja tornou-se a condenação à fogueira. De herege o laranja tornou-se inquisidor nas mãos do ser humano.
E a beleza foi adiada. E a felicidade foi morta. Um verdadeiro infanticídio.
Thiago Assis F. Santiago
www.twitter.com/euthiagoassis
Será que nasceriam novos dias assim? Será que viriam novos tempos? Será que dali por diante "Um bom dia cor de Laranja" viraria uma saudação habitual?
Os homens não querem a felicidade mútua. Só sonhadores pensam nessa possibilidade. Se o Laranja era algo bom, com certeza haviam seres humanos procurando uma maneira de depreciá-lo, de torná-lo triste, doloroso e inaceitável para o decorrer da História.
A Igreja criara há pouco tempo uma nova categoria de infiéis: os hereges. Seriam aqueles que, na visão dos homens da que comandavam a fé, ameaçavam o "poder de Deus" com as idéias científicas que tinham. Herege tornara-se sinônimo de bruxo.
O Laranja que começara a habitar a mente humana, que começara a abrir os olhos do ser humano, que começara a fazê-lo raciocinar sem regras para os pensamentos, era uma ameaça. O Laranja era herege.
Claro que não podiam condená-lo. O Laranja não era personificado para que sofresse com habituais torturas, com anos em celas nada aconchegantes. Deixar aquela alegria e iluminação alaranjada dispersa e livre para todos não era algo aceitável. "Temos que trazê-lo para nosso lado", pensavam os inquisidores.
Procurariam algo laranja, algo que viesse e se destacasse entre todas as condenações. Estavam certos que o Laranja logo se tornaria um aliado. Isso não tardou para acontecer. Iluminado por uma aura demoníaca, um dos homens da religião chegou a uma associação criminosa e, para o grupo dele, essencial: "O fogo é laranja!", foi como apresentou a idéia aos companheiros.
Dali por diante o Laranja, que começava a salvar a humanidade da visão retraída da Igreja, da tirania religiosa que há tempos limitava a capacidade do homem, aquele Laranja, ele tornou-se verdadeiramente cruel, tornou-se apenas laranja. O laranja tornou-se a condenação à fogueira. De herege o laranja tornou-se inquisidor nas mãos do ser humano.
E a beleza foi adiada. E a felicidade foi morta. Um verdadeiro infanticídio.
Thiago Assis F. Santiago
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terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Minha história de uma morte anunciada
”Pela primeira vez dona de seu destino, Ângela Vicário descobriu então que o ódio e o amor são paixões recíprocas.” (“Crônica de uma morte anunciada”, de Gabriel García Márquez)
Cansada de cartas marcadas, de sonhos comprados e do destino que a vida lhe oferecera, ela resolveu se vingar do carma. Mudou completamente, do dia para noite, da água para o vinho, do anjo para o demônio.
A vida pacata se tornara instável. Festas, bebidas e drogas eram a nova realidade. O jeito simples de ser se transformara em um estilo agressivo de se mostrar. Piercings, saias curtas e saltos-altos eram o novo visual.
Perdera qualquer vestígio do amor que sentira um dia. Perdera qualquer senso de romantismo. Fora covardemente enganada: primeiro iludida, depois traída.
Não o amava mais. Não se amava mais.
Sorte dela o destino ser tão perverso. A tentativa de fuga foi frustrada, ela não sobreviveu ao novo modo de viver. Acabou caída, drogada e prostituída em uma esquina qualquer da cidade grande, com sinais de estupro e overdose. Um destino mais amável a teria feito sofrer ainda mais, podem acreditar.
Thiago Assis F. Santiago
www.twitter.com/euthiagoassis
Cansada de cartas marcadas, de sonhos comprados e do destino que a vida lhe oferecera, ela resolveu se vingar do carma. Mudou completamente, do dia para noite, da água para o vinho, do anjo para o demônio.
A vida pacata se tornara instável. Festas, bebidas e drogas eram a nova realidade. O jeito simples de ser se transformara em um estilo agressivo de se mostrar. Piercings, saias curtas e saltos-altos eram o novo visual.
Perdera qualquer vestígio do amor que sentira um dia. Perdera qualquer senso de romantismo. Fora covardemente enganada: primeiro iludida, depois traída.
Não o amava mais. Não se amava mais.
Sorte dela o destino ser tão perverso. A tentativa de fuga foi frustrada, ela não sobreviveu ao novo modo de viver. Acabou caída, drogada e prostituída em uma esquina qualquer da cidade grande, com sinais de estupro e overdose. Um destino mais amável a teria feito sofrer ainda mais, podem acreditar.
Thiago Assis F. Santiago
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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Amor contido
Ela se aproximava da frágil estrutura de madeira que cercava a ponte e que seria para impedir que alguém caísse na água.
Naquela fria madrugada no campo eu me aproximei com cuidado, sabia que se falasse alto ou de um modo amedrontador ela se espantaria, afinal achava que não havia mais ninguém naquele momento.
- Algum problema, garota?
- Ah, é você... você aparece sempre que alguém parece precisar de ajuda.
- Pois é. Parece que eu sou uma droga de anjo e que não há nada que eu possa fazer para mudar isso.
- É melhor ser o anjo que ajuda do que o doente que sempre precisa ser ajudado.
- Quer conversar?
Procuro nela algum abrigo para me confortar, mas eu não podia me expor dessa maneira, eu era o forte, com medos e sentimentos contidos, esquecidos dentro de mim. A lua brilhando sobre a água límpida, o clima tranqüilo da madrugada do campo... tudo convergia para um cenário ideal de romance.
Só nós dois, agora já no banquinho que havia na ponte. Ela deixando a cabeça cair no meu ombro. Eu a abrigando da maneira que queria que comigo acontecesse. Ela abrindo o coração para mim, olhos cheios d'água. Eu me segurando para não beijá-la com todo a fúria que havia em mim.
- Eu mereço isso?
- Não menina, não fique triste por algo assim, você merece o que há de melhor.
"Pena que ela não percebe que eu sou o melhor que há para ela", pensava eu.
Um momento lindo que agora já contava com os primeiros pássaros a cantar. Foi então resolvi falar tudo aquilo que guardava em meu peito.
Dizia que há meses não conseguia sequer me imaginar beijando outra pessoa, pois só ela dominava minha mente, que eu me sentia mais preso a ela do que as montanhas ao chão. Afirmava que não sabia mais o que fazer que não fosse beijá-la naquele momento, com toda a paixão acumulada em mim durante tanto tempo.
Foi então que comecei a me preparar para a consolidação do meu amor. A posição da cabeça dela não era favorável, por isso tinha que achar uma melhor para mim. Deslizei minha mão pelo rosto dela. Falei algo tênue no ouvido próximo antes de um pequeno beijo no pescoço. Digiri-me à boca. Foi quando percebi que ela dormia.
Thiago Assis F. Santiago
www.twitter.com/euthiagoassis
Naquela fria madrugada no campo eu me aproximei com cuidado, sabia que se falasse alto ou de um modo amedrontador ela se espantaria, afinal achava que não havia mais ninguém naquele momento.
- Algum problema, garota?
- Ah, é você... você aparece sempre que alguém parece precisar de ajuda.
- Pois é. Parece que eu sou uma droga de anjo e que não há nada que eu possa fazer para mudar isso.
- É melhor ser o anjo que ajuda do que o doente que sempre precisa ser ajudado.
- Quer conversar?
Procuro nela algum abrigo para me confortar, mas eu não podia me expor dessa maneira, eu era o forte, com medos e sentimentos contidos, esquecidos dentro de mim. A lua brilhando sobre a água límpida, o clima tranqüilo da madrugada do campo... tudo convergia para um cenário ideal de romance.
Só nós dois, agora já no banquinho que havia na ponte. Ela deixando a cabeça cair no meu ombro. Eu a abrigando da maneira que queria que comigo acontecesse. Ela abrindo o coração para mim, olhos cheios d'água. Eu me segurando para não beijá-la com todo a fúria que havia em mim.
- Eu mereço isso?
- Não menina, não fique triste por algo assim, você merece o que há de melhor.
"Pena que ela não percebe que eu sou o melhor que há para ela", pensava eu.
Um momento lindo que agora já contava com os primeiros pássaros a cantar. Foi então resolvi falar tudo aquilo que guardava em meu peito.
Dizia que há meses não conseguia sequer me imaginar beijando outra pessoa, pois só ela dominava minha mente, que eu me sentia mais preso a ela do que as montanhas ao chão. Afirmava que não sabia mais o que fazer que não fosse beijá-la naquele momento, com toda a paixão acumulada em mim durante tanto tempo.
Foi então que comecei a me preparar para a consolidação do meu amor. A posição da cabeça dela não era favorável, por isso tinha que achar uma melhor para mim. Deslizei minha mão pelo rosto dela. Falei algo tênue no ouvido próximo antes de um pequeno beijo no pescoço. Digiri-me à boca. Foi quando percebi que ela dormia.
Thiago Assis F. Santiago
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terça-feira, 3 de novembro de 2009
Montanha não, roleta-russa de hormônios
O nerd medroso, depois de uma primeira vez inesperada, resolveu contar a história da angústia pela qual passou. E ela ficou assim:
“Era uma vez um nível alto de FSH. Ele fazia com que alguns folículos ovarianos se desenvolvessem e liberassem estrógeno no sangue, o qual começou a preparar o útero para um possível embrião. Esse aumento de estrógeno, ao passo que fazia diminuir a produção de FSH, estimulava a adenoipófise a produzir LH. A grande presença de LH, combinada com a prévia existência de FSH, induziram a ovulação. Com o óvulo liberado, o LH promoveu a tranformação de células do folículo em corpo amarelo. O corpo amarelo produziu um pouco mais de estrógeno e, ao mesmo tempo, uma grande quantidade de progesterona. Níveis altos de estrógeno e progesterona fizeram com que a hipófise deixasse de produzir LH. Sem LH, o corpo amarelo parou de produzir estrógeno e progesterona. E, com os quatro hormônios em baixos níveis, veio finalmente a descamação do endométrio, veio a esperada menstruação. Isso significa que os níveis de FSH voltarão a subir e o ciclo irá recomeçar.
Sim, ela não estava grávida. Que medo aquele descuido me deu!
Já pensou se o óvulo tivesse sido fecundado, se gonadotrofina coriônica começasse a ser produzida pelas vilosidades coriônicas e passasse a manter ativo o corpo amarelo com aquela desesperada produção de estrógeno e progesterora? Já pensou se depois do quarto mês a placenta assumisse o lugar do corpo amarelo na produção dos dois hormônios e, depois do nono mês surgisse um herdeiro meu?
Não, amigo. Eu não teria estrutura para isso. Melhor nem pensar nisso. Melhor apenas ser mais cuidadoso nas próximas vezes”.
É, caro leitor. Existe um fato, mas as versões são infinitas.
Thiago Assis F. Santiago
www.twitter.com/euthiagoassis
“Era uma vez um nível alto de FSH. Ele fazia com que alguns folículos ovarianos se desenvolvessem e liberassem estrógeno no sangue, o qual começou a preparar o útero para um possível embrião. Esse aumento de estrógeno, ao passo que fazia diminuir a produção de FSH, estimulava a adenoipófise a produzir LH. A grande presença de LH, combinada com a prévia existência de FSH, induziram a ovulação. Com o óvulo liberado, o LH promoveu a tranformação de células do folículo em corpo amarelo. O corpo amarelo produziu um pouco mais de estrógeno e, ao mesmo tempo, uma grande quantidade de progesterona. Níveis altos de estrógeno e progesterona fizeram com que a hipófise deixasse de produzir LH. Sem LH, o corpo amarelo parou de produzir estrógeno e progesterona. E, com os quatro hormônios em baixos níveis, veio finalmente a descamação do endométrio, veio a esperada menstruação. Isso significa que os níveis de FSH voltarão a subir e o ciclo irá recomeçar.
Sim, ela não estava grávida. Que medo aquele descuido me deu!
Já pensou se o óvulo tivesse sido fecundado, se gonadotrofina coriônica começasse a ser produzida pelas vilosidades coriônicas e passasse a manter ativo o corpo amarelo com aquela desesperada produção de estrógeno e progesterora? Já pensou se depois do quarto mês a placenta assumisse o lugar do corpo amarelo na produção dos dois hormônios e, depois do nono mês surgisse um herdeiro meu?
Não, amigo. Eu não teria estrutura para isso. Melhor nem pensar nisso. Melhor apenas ser mais cuidadoso nas próximas vezes”.
É, caro leitor. Existe um fato, mas as versões são infinitas.
Thiago Assis F. Santiago
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Risco
- Fica comigo.
- Mas Caio, nós somos amigos. Um beijo poderia atrapalhar toda essa amizade que construímos ao longo desses 5 anos.
- Fica comigo.
- Mas aqui... agora?
- Sim, agora. Agora enquanto me aproximo lentamente dos teus lábios...
- Não quero acabar me afastando de ti.
- Luana, você está apaixonada por alguém? Apaixonada ao ponto de só pensar na tal da pessoa. Apaixonada ao ponto que isso não permita que você beije nenhuma outra pessoa que não o alvo que o Cupido te destinou?
- Não.
- Então, nem eu.
- Caio, cansei que ouvir casos de amigos que ficaram e de repente rolou uma paixonite e no fim ambos se machucaram e a amizade nunca mais foi a mesma.
- Luana, um beijo seria apenas dar um risco colorido àquilo que já é brilhante, mas ainda é preto e branco, que é a nossa amizade.
- Não sei...
- Ah! Pára de joguinhos e vem aqui. Eu sei que você quer.
- Sim, eu quero. Mui...
Thiago Assis F. Santiago
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- Mas Caio, nós somos amigos. Um beijo poderia atrapalhar toda essa amizade que construímos ao longo desses 5 anos.
- Fica comigo.
- Mas aqui... agora?
- Sim, agora. Agora enquanto me aproximo lentamente dos teus lábios...
- Não quero acabar me afastando de ti.
- Luana, você está apaixonada por alguém? Apaixonada ao ponto de só pensar na tal da pessoa. Apaixonada ao ponto que isso não permita que você beije nenhuma outra pessoa que não o alvo que o Cupido te destinou?
- Não.
- Então, nem eu.
- Caio, cansei que ouvir casos de amigos que ficaram e de repente rolou uma paixonite e no fim ambos se machucaram e a amizade nunca mais foi a mesma.
- Luana, um beijo seria apenas dar um risco colorido àquilo que já é brilhante, mas ainda é preto e branco, que é a nossa amizade.
- Não sei...
- Ah! Pára de joguinhos e vem aqui. Eu sei que você quer.
- Sim, eu quero. Mui...
Thiago Assis F. Santiago
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sábado, 24 de outubro de 2009
Correspondência
Who needs please when we’ve got guns? *
Eu estava em casa quando o carteiro, amigo de longa data, me chamou para entregar uma correspondência. Estranhei a situação, pois não recebia cartas que não de cartões de crédito ou de outros tipos de cobrança.
Como tinha o meu nome e meu endereço (rua da Quimera, número 5), não podia ser engano, então resolvi lê-la. E assim ela dizia:
“Chegou-se a um ponto em que amar não é poder, em que sonhar não é ter esperança, pois essa sofre na UTI há muito tempo. Alcançou-se uma época na qual o convívio não é mais necessário, na qual um abraço já não vale muito, pois só se vive ‘online’. Estamos no Futuro. Por que pensar no outro, se o que importa é a gente? Por que sorrir, se ninguém verá o sorriso?
"Só espero que quem está no Presente não tenha o mesmo destino que nós. Só torço para que um dia uma catarse aconteça e o Futuro deles não seja como o meu.”
O mais estranho nem era não haver remetente, e sim o selo e o carimbo datados do ano de 2079. Não pareceu trote, acredito que veio de onde diz ter vindo, só não me perguntem por que eu fui escolhido e nem como ela chegou...
Thiago Assis F. Santiago
* “Quem precisa de 'por favor' quando temos armas?”
da música “Sleep through the static”, de Jack Johnson.
www.twitter.com/euthiagoassis
Eu estava em casa quando o carteiro, amigo de longa data, me chamou para entregar uma correspondência. Estranhei a situação, pois não recebia cartas que não de cartões de crédito ou de outros tipos de cobrança.
Como tinha o meu nome e meu endereço (rua da Quimera, número 5), não podia ser engano, então resolvi lê-la. E assim ela dizia:
“Chegou-se a um ponto em que amar não é poder, em que sonhar não é ter esperança, pois essa sofre na UTI há muito tempo. Alcançou-se uma época na qual o convívio não é mais necessário, na qual um abraço já não vale muito, pois só se vive ‘online’. Estamos no Futuro. Por que pensar no outro, se o que importa é a gente? Por que sorrir, se ninguém verá o sorriso?
"Só espero que quem está no Presente não tenha o mesmo destino que nós. Só torço para que um dia uma catarse aconteça e o Futuro deles não seja como o meu.”
O mais estranho nem era não haver remetente, e sim o selo e o carimbo datados do ano de 2079. Não pareceu trote, acredito que veio de onde diz ter vindo, só não me perguntem por que eu fui escolhido e nem como ela chegou...
Thiago Assis F. Santiago
* “Quem precisa de 'por favor' quando temos armas?”
da música “Sleep through the static”, de Jack Johnson.
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sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Apenas fique aqui
A foto dos dois sorrindo permanecia na estante. Ela era antiga. Nem se lembravam da última vez que riram juntos. O dia nublado que antes sugerira um programa romântico, hoje propõe tristeza. Temiam que a paixão outrora florescente houvesse se dissipado com o passar dos tempos. Era essa a teoria em que criam. Era isso que a situação sugeria.
- Não entendo porque você não me deixa ir. Você sabe, eu sei... Eu não sou o certo para você. Não tenho o coração que te merece, nem posso te dar tudo aquilo que desejaria. Eu vou te fazer sofrer, e sofrimento teu é a única coisa que não quero ver, não quero ouvir, não quero presenciar. Principalmente sendo por minha causa. Não tenho súvidas, ficando contigo, eu te farei sofrer. Eu não suportaria a dor de te fazer chorar, nem conseguiria viver com essa culpa. Não tenho escrúpulos. Nunca fui bom filho, nunca fui bom amante, nunca fui bom homem. Você não me merece, eu não presto. Não quero te ver mal, eu me odiaria por isso. E você sabe, não deve haver alguém mais egocêntrico do que eu, mas, se te fizesse sofrer, eu me odiaria.
A garota simplesmente o olhou e libertou uma frase:
- Cala a boca.
- Por que você escolheu a dor? Deixe-me ir. Eu sou a sua dor – suplicou-lhe o rapaz.
- Eu nunca chorarei por você. Eu não gosto de inverno, não viverei em um por você. Nunca. Se você não suportaria me fazer sofrer, apenas fique aqui. Apenas fique aqui.
E ele a olhou:
- Eu sempre estarei aqui.
Thiago Assis F. Santiago
*Inspirado na música "Your winter" da banda Sister Hazel
Para ver o clipe da música basta clicar aqui.
Aceito sugestões de músicas para as futuras postagens da seção "Música viva".
Quem tiver as deixe no final do seu comentário.
www.twitter.com/euthiagoassis
- Não entendo porque você não me deixa ir. Você sabe, eu sei... Eu não sou o certo para você. Não tenho o coração que te merece, nem posso te dar tudo aquilo que desejaria. Eu vou te fazer sofrer, e sofrimento teu é a única coisa que não quero ver, não quero ouvir, não quero presenciar. Principalmente sendo por minha causa. Não tenho súvidas, ficando contigo, eu te farei sofrer. Eu não suportaria a dor de te fazer chorar, nem conseguiria viver com essa culpa. Não tenho escrúpulos. Nunca fui bom filho, nunca fui bom amante, nunca fui bom homem. Você não me merece, eu não presto. Não quero te ver mal, eu me odiaria por isso. E você sabe, não deve haver alguém mais egocêntrico do que eu, mas, se te fizesse sofrer, eu me odiaria.
A garota simplesmente o olhou e libertou uma frase:
- Cala a boca.
- Por que você escolheu a dor? Deixe-me ir. Eu sou a sua dor – suplicou-lhe o rapaz.
- Eu nunca chorarei por você. Eu não gosto de inverno, não viverei em um por você. Nunca. Se você não suportaria me fazer sofrer, apenas fique aqui. Apenas fique aqui.
E ele a olhou:
- Eu sempre estarei aqui.
Thiago Assis F. Santiago
*Inspirado na música "Your winter" da banda Sister Hazel
Para ver o clipe da música basta clicar aqui.
Aceito sugestões de músicas para as futuras postagens da seção "Música viva".
Quem tiver as deixe no final do seu comentário.
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quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Cotidiano
“Expectativas são situações estranhamente emocionantes. Embora não muito comuns na minha biografia até dias atrás, venho passando por uma aura de esperança quanto ao meu futuro, depois de anos em estado de indiferença.
“Esperar algo provável é muito bom, desde que não se deixe levar pela ansiedade. Creio que segurança e confiança em mim mesmo têm sido dois fatores prepoderantes para meu bem-estar atual. Saber que algo bom está para acontecer, mesmo não sendo uma certeza (ainda), e acreditar que esse algo é realmente possível... Isso tudo é bem prazeroso.”
Era esse o pensamento do mais novo sonhador. Aquele repleto de possibilidades futuras. Aquele cheio de compaixão. Aquele centrado e determinado. Aquele morto e enterrado por conta da brutalidade humana.
Thiago Assis F. Santiago
www.twitter.com/euthiagoassis
“Esperar algo provável é muito bom, desde que não se deixe levar pela ansiedade. Creio que segurança e confiança em mim mesmo têm sido dois fatores prepoderantes para meu bem-estar atual. Saber que algo bom está para acontecer, mesmo não sendo uma certeza (ainda), e acreditar que esse algo é realmente possível... Isso tudo é bem prazeroso.”
Era esse o pensamento do mais novo sonhador. Aquele repleto de possibilidades futuras. Aquele cheio de compaixão. Aquele centrado e determinado. Aquele morto e enterrado por conta da brutalidade humana.
Thiago Assis F. Santiago
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sábado, 8 de agosto de 2009
Mais que amor
Naquele momento estavam sozinhos. Ninguém no quarto além dos dois. Ninguém na casa além dos dois. A desavença tinha que ser resolvida. O amor não poderia ter acabado por conta de cinco segundos de uma visão constrangedora.
Por mais que não visse nos olhos de Sofia um resquício sequer de paixão, Lucas não poderia desistir dela. Não poderia desistir daquela que fora escolhida para domar aquele coração raivoso e aquela mente inconstante. Não poderia deixar de lado as arrebatadoras semanas de sentimento intenso, de vida compensatória.
Foi Sofia quem o despertou, quem lhe mostrou a beleza do simples, a paz de uma caminhada ao ar livre. Apenas no olhar de Sofia é que Lucas conseguia encontrar o próprio olhar. Sem ela, ele nunca teria se emocionado plenamente.
Por isso Lucas foi ao encontro da garota naquela noite. E por não entender o quão apaixonado ele era, Sofia não queria vê-lo de novo, então correra para o quarto, com os olhos em dilúvio, logo que abrira a porta e vira Lucas do outro lado da passagem.
Tudo que ele queria era observá-la novamente. Não conseguia explicar como se sentia. Se houvesse algo que transcedesse o amor, certamente seria isso que ele sentia. Como não sabia o que tomava de roubo o coração que pulsava acelerado em seu peito, Lucas simplesmente se calaria e olharia naqueles olhos que lhe proporcionaram a catarse mais encantadora que jamais pudera imaginar.
Dizer “eu te amo” seria perda de tempo. O amor não era mais suficiente para ele. Algo mais era necessário, mas esse “algo” não existia ainda.
Cada um se encontrava em pé em lados opostos da cama quando finalmente Lucas resolveu falar. E o convite não poderia ser outro que não pedí-la para deitar-se com ele e simplesmente esquecerem do mundo. Fecharem os olhos, sentirem apenas a respiração ofegante ao lado e viverem o que ninguém no planeta jamais viveu.
Deitados, calados, houve apenas um simples toque de mãos e depois ficaram ali, pela eternidade.
Thiago Assis F. Santiago
*Inspirado na música "Chasing cars", da banda Snow Patrol
Para ver o clipe da música basta clicar aqui.
Por mais que não visse nos olhos de Sofia um resquício sequer de paixão, Lucas não poderia desistir dela. Não poderia desistir daquela que fora escolhida para domar aquele coração raivoso e aquela mente inconstante. Não poderia deixar de lado as arrebatadoras semanas de sentimento intenso, de vida compensatória.
Foi Sofia quem o despertou, quem lhe mostrou a beleza do simples, a paz de uma caminhada ao ar livre. Apenas no olhar de Sofia é que Lucas conseguia encontrar o próprio olhar. Sem ela, ele nunca teria se emocionado plenamente.
Por isso Lucas foi ao encontro da garota naquela noite. E por não entender o quão apaixonado ele era, Sofia não queria vê-lo de novo, então correra para o quarto, com os olhos em dilúvio, logo que abrira a porta e vira Lucas do outro lado da passagem.
Tudo que ele queria era observá-la novamente. Não conseguia explicar como se sentia. Se houvesse algo que transcedesse o amor, certamente seria isso que ele sentia. Como não sabia o que tomava de roubo o coração que pulsava acelerado em seu peito, Lucas simplesmente se calaria e olharia naqueles olhos que lhe proporcionaram a catarse mais encantadora que jamais pudera imaginar.
Dizer “eu te amo” seria perda de tempo. O amor não era mais suficiente para ele. Algo mais era necessário, mas esse “algo” não existia ainda.
Cada um se encontrava em pé em lados opostos da cama quando finalmente Lucas resolveu falar. E o convite não poderia ser outro que não pedí-la para deitar-se com ele e simplesmente esquecerem do mundo. Fecharem os olhos, sentirem apenas a respiração ofegante ao lado e viverem o que ninguém no planeta jamais viveu.
Deitados, calados, houve apenas um simples toque de mãos e depois ficaram ali, pela eternidade.
Thiago Assis F. Santiago
*Inspirado na música "Chasing cars", da banda Snow Patrol
Para ver o clipe da música basta clicar aqui.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Desconfiança espacial
Quando sozinho em casa, ele tinha mania de andar nu. Adorava refrescar as idéias e outras coisas mais com o vento que ainda existe em uma cidade do interior. Parava no quintal e admirava as estrelas, principalmente aquela que brilhava mais nas noites em que ele estava sozinho.
Nunca se preocupou em ser flagrado, até o dia que lhe contaram uma história de que o Google tinha satélites lá longe os quais podiam ver com detalhes o que acontecia na superfície terrestre. Ficou encucado com a idéia de que poderia haver alguém investigando-o e rindo (ou quem sabe até gostando) do corpo nu que ele exibia desavergonhadamente em casa.
E foi nessa desconfiança que parou de andar como veio ao mundo nos dias solitários. Pensava que poderia ser pretensão demais achar que em um mundo com mais de seis bilhões de moradores alguém estaria preocupado em vê-lo (justo ele!) nu e que essa pessoa ainda estivesse usando um telescópio (fora do planeta!) para tal finalidade. Ele perdeu esse "ar de inferioridade" quando percebeu que desde que parou de andar nu aquela estrela que brilhava mais desapareceu, e isso é fato.
Thiago Assis F. Santiago
Nunca se preocupou em ser flagrado, até o dia que lhe contaram uma história de que o Google tinha satélites lá longe os quais podiam ver com detalhes o que acontecia na superfície terrestre. Ficou encucado com a idéia de que poderia haver alguém investigando-o e rindo (ou quem sabe até gostando) do corpo nu que ele exibia desavergonhadamente em casa.
E foi nessa desconfiança que parou de andar como veio ao mundo nos dias solitários. Pensava que poderia ser pretensão demais achar que em um mundo com mais de seis bilhões de moradores alguém estaria preocupado em vê-lo (justo ele!) nu e que essa pessoa ainda estivesse usando um telescópio (fora do planeta!) para tal finalidade. Ele perdeu esse "ar de inferioridade" quando percebeu que desde que parou de andar nu aquela estrela que brilhava mais desapareceu, e isso é fato.
Thiago Assis F. Santiago
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